Angela
Bauer
Terapeuta
Holística
ANGELA
CRISTINA BAUER FROTA
PROFISSIONAL
AUTÔNOMO 229822 – TERAPEUTA HOLÍSTICO
Insc.
Munic. 0509630-8 / CNPJ/CPF 466.916.260/87
Revista
Brasileira de Farmacognosia
Print version ISSN
0102-695X
Rev. bras. farmacogn. vol.16 no.3 João
Pessoa July/Sept. 2006
doi: 10.1590/S0102-695X2006000300014
ARTIGO
Avaliação dos efeitos centrais dos florais
de Bach em camundongos através de modelos farmacológicos específicos
Evaluation of
central effects of Bach Flowers Remedies in mice using specific pharmacological
models
Márcia M. De-SouzaI,*; Milene GarbelotoI;
Karin DenezII; Iriane Eger-MangrichI
INúcleo de
Investigações Químico Farmacêuticas, Centro de Ciências da Saúde, Universidade
do Vale do Itajaí, Rua Uruguai 458, Centro, 88202-302, Itajaí, SC, Brasil
IICurso de Naturologia Aplicada, Universidade do Sul de Santa Catarina, Campus Florianópolis, Av. Pedra Branca 25, 88132-000, Palhoça, SC, Brasil
IICurso de Naturologia Aplicada, Universidade do Sul de Santa Catarina, Campus Florianópolis, Av. Pedra Branca 25, 88132-000, Palhoça, SC, Brasil
RESUMO
Os Remédios Florais de Bach (RFB), constituem um método alternativo de
tratamento usado largamente na terapêutica de várias patologias em muitos
países do mundo. Os RFB são reconhecidos como tratamento natural pela OMS desde
1956. Embora o mecanismo de ação dos RFB ainda não tenha sido elucidado, eles
vêm sendo indicados para o tratamento de várias doenças neuropsiquiátricas. O
objetivo do presente trabalho foi detectar possíveis efeitos centrais dos RFB
em modelos farmacológicos utilizados na pesquisa de substâncias com efeitos
ansiolíticos, hipnóticos, antidepressivos e neurolépticos. Para tanto,
camundongos receberam um tratamento agudo via oral (0,45 mL) 1 hora antes dos
testes. Os resultados mostraram que os florais Gorse e, em conjunto, White
chestnut, Agrymony e Vervain exibiram perfis antidepressivo e hipnótico,
respectivamente. No modelo de ansiedade foi detectado efeito ansiolítico do
floral Agrymony. Entretanto, não foram observados efeitos neurolépticos do
floral Clematis. Os resultados nos levam a sugerir que os efeitos centrais dos
florais avaliados podem ser parcialmente detectados através de modelos
farmacológicos utilizados na pesquisa de agentes psicotrópicos.
Unitermos: Remédios Florais de Bach (RFB), modelos farmacológicos,
depressão, ansiedade, esquizofrenia, insônia.
ABSTRACT
The Bach Flowers
Remedies (BFR's) are worldwide used as an alternative therapeutical approach
for several pathologies, being considered by WHO as natural therapy since 1956.
Despite the unknown mechanism of action, the BFR's have been widely used on
treatment of several neuropsychiatry diseases. Based on pharmacological models
used to detect ansiolitic, antidepressant, hypnotic and neuroleptyc effects of
different substances, the aim of this work was to evaluate possible central
effects of the BFR's. For this purpose, albino mice received BFR's treatment
(0.45 mL) by oral route 1 hour prior to each test. The results revealed that
the Gorse flower alone and a mix of White chestnut, Agrymony and Vervain showed
antidepressant and hypnotic effects, respectively. On the anxiety model,
Agrymony showed an ansiolitic effect but no neuroleptyc effects were observed
for Clematis floral therapy. The herein described results allow us to conclude
that the studied BFR's central effects may be partially detected through pharmacological
models currently and widely used on psychotropic agents research.
Keywords: Bach
Flowers Remedies (BFR's), pharmacological models, depression, anxiety,
schizophrenia, insomnia.
INTRODUÇÃO
Os Florais de Bach ou Remédios Florais de Bach (RFB) consistem em um
tipo de medicação alternativa usado intensamente nos dias de hoje, isoladamente
ou em associação com a medicação alopática.
São considerados como instrumentos de cura suaves, sutis, profundos,
vibracionais, com uso reconhecido em mais de 50 países e aprovados pela
Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 1956 (Mantle, 1997). Os florais, como
um instrumento de trabalho terapêutico, devem ser entendidos também como
expressão de uma forma de pensar, sentir e atuar na vida em geral.
Embora seja bastante claro que o sistema terapêutico dos Florais de Bach
é distinto daquele utilizado pela homeopatia, o Dr. Bach foi bastante
influenciado pelas idéias de Hahnemann e isto é refletido na filosofia e na
aplicação dos RFB (Van Haselen, 1999). Bach, trabalhando inicialmente como
médico alopata, depois homeopata especializado na pesquisa em bacteriologia no
Hospital Homeopático de Londres, concluiu que a origem de qualquer doença deve
ser investigada no âmbito das manifestações emocionais prévias. Estes desvios
emocionais são provavelmente o alvo de atuação dos florais (Leary, 1999).
Como os remédios homeopáticos, os RFB sofrem intenso processo de
diluição. Eles são usualmente produzidos por gotejamento de essência de flores
frescas em água, formando uma solução a qual é subseqüentemente adicionado o
"brandy", originando a "tintura mãe". O "brandy"
tem função preservativa do floral, para ser usado posteriormente (Chancellor,
2000). Não foram encontrados ainda na literatura quaisquer indícios de que os
RFB possuem substâncias químicas provenientes das plantas que os originam, que
explicassem seus efeitos terapêuticos. Os proponentes para este tratamento
afirmam que seu modo de ação não depende de mecanismos moleculares comparáveis
a terapêutica convencional. Assim como os remédios homeopáticos, eles exercem
sua ação através da "energia" que é transmitida das flores para o
remédio (Armstrong; Ernst, 2002). Como essa "energia" é de difícil
quantificação, muitos críticos ao tratamento argumentam que os Florais de Bach
(e todos os outros atualmente utilizados terapeuticamente) são na realidade
simplesmente placebos (Fricke, 1999; Armstrong; Ernst, 2001). Além disso,
trabalhos utilizando a metodologia científica com o intuito de estudar mais
profundamente a eficácia dos RFB são bastante escassos. Diante do exposto, o
objetivo do presente trabalho foi detectar os efeitos centrais dos RFB, em
camundongos, através de modelos farmacológicos específicos, amplamente
utilizados na triagem de substâncias psicotrópicas farmacologicamente ativas
(Almeida et al., 1999; 2001; Sousa et al., 2004).
MATERIAL E MÉTODOS
Animais
Foram utilizados camundongos Swiss machos, pesando entre 18 a 35 g,
obtidos do Biotério Central da UNIVALI, onde eram aclimatados a 22 ± 2 ºC, em
um ciclo de 12 h claro e 12 h escuro e tratados com ração e água "ad
libitum". Os animais foram mantidos no laboratório 1 h antes da
realização dos experimentos para aclimatação. Esta pesquisa foi aprovada pelo
Comitê de Ética em Pesquisa da UNIVALI, através do parecer nº 30/1998.
Florais de Bach e drogas utilizadas nos experimentos
Para selecionar os florais que foram avaliados, foi realizado um
minucioso estudo sobre as principais características de pacientes portadores de
doenças neuropsiquiátricas e os RFB aplicados em sua terapêutica. Desta forma,
os seguintes florais foram selecionados: Agrymony, para a ansiedade; Gorse,
para a depressão; Clematis, para a esquizofrenia; e em conjunto os florais
Agrymony, White chestnut e Vervain, para a insônia. Os florais foram preparados
utilizando-se 2 gotas das essências em 30 mL de água mineral. O conservante
normalmente utilizado ("brandy"), não fez parte destas preparações
para excluir uma possível interferência do álcool sobre o comportamento dos
animais. Entretanto, um grupo que foi tratado com "brandy" o conteúdo
de álcool presente na solução foi de 0,171 mLs calculados a partir do teor alcoólico
do "brandy" (38.5%). Foram também utilizados os seguintes fármacos:
anfetamina, pentobarbital sódico, apomorfina, imipramina (SIGMA, EUA) e
diazepam (CRISTÁLIA, Brasil).
Tratamento
Os experimentos foram conduzidos utilizando-se um experimento do tipo
cego. Grupos de 10 a 15 animais receberam um tratamento agudo através da
administração oral de 0,45 mL da solução de cada um dos florais testados. Após
1 hora, os animais foram submetidos aos testes farmacológicos. Ensaios com os
controles positivos (fármacos utilizados alopaticamente) e negativos (veículo
onde foi diluído os florais) foram realizados nas mesmas condições.
Modelos farmacológicos utilizados
Avaliação do efeito antidepressivo: Para detectar o efeito antidepressivo foi utilizado o teste do nado
forçado ("forced swimming test"). Este teste foi desenvolvido
por Porsolt; Bertin e Jalfre (1977) para a pesquisa com drogas antidepressivas.
Após o tratamento com o floral Gorse, veículo ou imipramina (10 mg/kg), o tempo
de imobilidade foi cronometrado. Os animais utilizados no teste foram
submetidos previamente a condições de estresse (baixa temperatura por 1h)
durante 5 dias consecutivos (Jay et al., 2004).
Avaliação do efeito ansiolítico: Para detectar o efeito ansiolítico foi utilizado o teste do Labirinto em
Cruz Elevado (LCE). O teste foi realizado segundo Pellow e File (1987) e Imhof
et al. (1993). Os animais foram tratados com o floral Agrymony e com os
controles positivo (diazepam - 0,75 mg/kg) e negativo (veículo).
Avaliação dos efeitos sobre a atividade locomotora: A fim de excluir a possibilidade de que os
florais pudessem atuar sobre o sistema motor dos animais, comprometendo os
resultados dos testes comportamentais, os mesmos foram submetidos a uma sessão
de teste em campo aberto ("Open-Field"), após o tratamento com
os florais, como descrito por Rodrigues et al. (1996).
Avaliação do efeito hipnótico: Para detectar o efeito hipnótico do conjunto de florais White
chestnut, Agrymony e Vervain, foi utilizado o teste de indução do sono por
barbitúricos, conforme descrito por De-Souza et al. (2003). Adicionalmente, um
grupo de animais também foi tratado com brandy (substância alcoólica na qual os
florais normalmente são diluídos) com o objetivo de verificar se tal substância
poderia interferir nos efeitos observados terapeuticamente.
Avaliação do efeito neuroléptico: Para detectar o efeito neuroléptico, foi utilizado como modelo animal
de esquizofrenia, o teste de indução da estereotipia (comportamento de "klibing").
Foi observado o comportamento de subidas ("Klibing") e/ou
descidas da gaiola, conforme os vários graus de estereotipia, como estabelecido
por Naidu e Kulkarni (2002).
Análise estatística
Foi realizada por meio de análise da variância seguida pelo teste de
múltipla comparação, utilizando-se o método de Dunnett e/ou Newman-Keuls,
quando apropriado. Valores de p < 0,05 foram considerados como indicativos
de significância.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos mostram que, após o tratamento agudo com os
Florais de Bach, os efeitos centrais podem ser detectados através de diversos
modelos farmacológicos.
Com relação ao modelo de depressão, avaliado através do teste do nado
forçado, os animais pré-tratados com o floral Gorse apresentaram significativa
redução do tempo de imobilidade (F = 39,38) p < 0,01, quando comparado com o
grupo de animais tratados com o veículo (Figura 1). Entretanto, este efeito não foi superior
aquele observado com a imipramina, um fármaco utilizado terapeuticamente para o
controle de depressão maior (Brunello et al., 2002). O objetivo deste modelo
foi reproduzir, no animal, um comportamento semelhante à doença e que fosse
sensível às drogas clinicamente efetivas. O modelo se baseia na observação de
que roedores, quando forçados ao nado, adotam uma postura de imobilidade após
um período inicial de agitação. Um animal é considerado imóvel quando flutua ou
faz movimentos necessários apenas para manter sua cabeça acima da água
(Borsini; Meli, 1989; Raghavendra; Kaur; Kulkarni, 2000). Etologicamente, este
modelo se compara ao estado de anedonia que o paciente depressivo apresenta
durante o curso da doença. Portanto, animais "deprimidos" tendem a
apresentar tempo de imobilidade elevado, o que não foi observado no grupo
pré-tratado com Gorse (Figura 1), sugerindo um efeito antidepressivo deste
floral.
O uso dos florais de Bach no tratamento da depressão endógena e/ou
reativa já é realidade desde a década de 90. Chancellor (2000) e Ernst (2002)
afirmam que indivíduos com este tipo de transtorno reagem muito bem ao
tratamento com os RFB e, Masi (2003) reforça tal afirmação através de
experimentos controlados. Entretanto, a eficácia da terapêutica só se aplica a
casos de depressão leve. Em casos mais graves, os RFB são associados aos antidepressivos
tradicionais. Segundo Bach (1990), dos remédios utilizados, Gorse é o
apropriado para os casos em que o paciente apresenta alto estágio de
desesperança. Este efeito pôde ser observado no presente estudo, onde animais
tratados com Gorse e, submetidos ao teste do nado forçado, mostraram-se muito
mais ativos e apresentaram menor desesperança quando comparados aos animais do
grupo controle (Figura 1). Entretanto, embora o floral em estudo
tenha aumentado o comportamento de imobilidade dos animais, um efeito
antidepressivo maior foi observado com o uso da imipramina.
Entre as anomalias do sono, a insônia é uma das que mais acomete a
população, atualmente. A insônia prejudica o desempenho do indivíduo,
principalmente por interferir nos processos de atenção, humor, cognição e
memória (Benca et al., 1997; Roth; Costa e Silva; Chase, 2001; Jessup et al.,
2004; Mazza et al., 2004). Para o tratamento da insônia utilizam-se agentes
hipnóticos (Maher, 2004). Uma substância com propriedades hipnóticas é aquela
que diminui a latência para o sono e aumenta seu tempo total (Norup, 2002).
Desta forma, em modelos farmacológicos de sono, o composto que interfere nesses
dois parâmetros de forma significativa, possui efeito hipnótico. Com relação a
esse efeito, o conjunto de florais utilizado neste trabalho (White chestnut,
Agrymony e Vervain), produziu de forma significativa [(F = 10,30) p < 0,05]
a redução da latência (Figura 2A) e, simultaneamente aumentou o tempo total
de sono (Figura 2B) [(F = 10,40) p < 0,05], sugerindo,
portanto, o efeito hipnótico dos florais avaliados.
Como os RFB utilizados na terapêutica são normalmente diluídos em
substância alcoólica (Van Haselen, 1999), a qual possui efeitos hipnóticos
(Kobayashi et al., 2002), um grupo controle, com brandy (teor alcoólico de 38%
nos 0,45 mLs administrado aos animais), também foi avaliado. Interessantemente,
verificou-se que não houve modificações nos parâmetros experimentais
relacionados ao sono dos animais pré-tratados com brandy quando comparados com
o controle, o qual recebeu apenas o veículo no qual os florais testados foram
diluídos (água mineral). Estes resultados sugerem que os florais e, não o
brandy, é que são responsáveis pelas alterações benéficas nos padrões do sono
dos usuários insones. O tratamento dos distúrbios do sono com os RFB também tem
sido descrito. Chancellor (2000), cita que o conjunto de florais aqui utilizado
é indicado para pacientes ansiosos que exibem alterações no ciclo circadiano.
Também tem sido relatado que indivíduos insones se adaptam muito bem à terapia
com os florais de Bach, dispensando a medicação com os hipnóticos tradicionais,
como os barbitúricos e benzodiazepínicos (Khong; Sim; Hulse, 2004).
Os resultados observados na Figura 3 referem-se aos dados obtidos com os animais
tratados com o floral Agrymony e submetidos ao modelo de ansiedade. O LCE é um
modelo etológico que se baseia na aversão natural dos roedores por lugares
abertos e claros e falta de tigmotaxia (Lister, 1987; Treit; Pesold; Rotzinger,
1993). O LCE foi validado de forma farmacológica, etológica e fisiológica por
Pellow e File, em 1985. O aparato é feito de madeira e consiste de dois braços
abertos opostos e dois fechados. Os braços fechados estão conectados por uma
plataforma central e elevados a uma altura de 45 cm do nível do piso. Substâncias
ansiolíticas induzem um comportamento de exploração dos braços abertos do
labirinto, aumentando a freqüência de entradas nesses braços, bem como o tempo
em que os animais o exploram. Como mostra a Figura 3, o tratamento com o floral Agrymony,
promoveu uma tendência ao aumento [(F = 13,52) p < 0,05] na freqüência de
entradas (painel A) nos braços abertos e aumento do tempo (embora sem
significância estatística) de permanência dos animais nesses braços (painel B).
Os mesmos parâmetros (painéis C e D) foram reduzidos de forma estatisticamente
significante nos braços fechados [(F = 11,52) p < 0,05; (F = 8,06) p <
0,05], sugerindo um possível efeito ansiolítico do floral Agrymony.
Trabalhos recentes vêm reportando o uso dos Florais de Bach no
tratamento da ansiedade. Armstrong e Ernest (2001) avaliaram de forma
randomizada e duplo cega os efeitos do Rescue (um RFB usado em situações
emergenciais) em 100 indivíduos com sintomas de ansiedade. Os pacientes que
usaram o remédio floral tiveram redução significativa dos sintomas
apresentados.
Recentemente, Wonchenscher (2003) demonstrou que o efeito placebo não
foi encontrado em vários ensaios clínicos realizados com os Florais de Bach, contrapondo
as alegações feitas por Walach e sua equipe (2001) de que os RFB exibem efeito
placebo. A hipótese de efeito placebo para os RFB vem sendo gradualmente
descartada, uma vez que os efeitos benéficos dos mesmos também são observados
em animais, tendo os RFB ampla aceitabilidade na clínica veterinária, onde este
efeito não pode ocorrer (Chancellor, 2000).
Procurando excluir a possibilidade de que o tratamento com o floral
pudesse estar influenciando o sistema motor dos animais e, conseqüentemente
interferindo nos resultados dos modelos adotados, os mesmos camundongos
tratados para a ansiedade e depressão foram submetidos ao teste em campo aberto
("Open-field"). Como mostra a Tabela 1, a performance dos animais tratados com os
florais não difere dos controles, nos dois parâmetros comportamentais
avaliados.
Os florais de Bach também foram testados em um modelo animal para
substâncias neurolépticas. Os modelos animais de esquizofrenia se baseiam
principalmente no antagonismo do efeito dos neurolépticos sobre o sistema motor
dos animais (Thongsaard, 1997; Wirshing, 2004). O modelo de estereotipia se
caracteriza pela indução farmacológica da hiperatividade dopaminérgica por
drogas como a apomorfina ou a anfetamina e, a posterior aplicação de
substâncias com possíveis propriedades neurolépticas. No modelo, a
hiperatividade dopaminérgica (hipótese da disfunção neuroquímica envolvida na
gênese da esquizofrenia) foi induzida com apomorfina, um agonista não seletivo
dos receptores D2. A aplicação de apomorfina induz no animal um comportamento
estereotipado quantificado através da movimentação (ou não) do mesmo durante o
teste. Substâncias com propriedade neurolépticas induzem um comportamento de
catalepsia fazendo com que o animal permaneça no assoalho da gaiola (Naidu;
Kulkarni, 2002). Como observado na Tabela 2, os animais tratados somente com o controle
positivo haloperidol (neuroléptico clássico) apresentaram grau zero, não sendo
observadas alterações significativas nos animais tratados com o floral
Clematis, quando comparados com o controle negativo (veículo).
Embora a terapia com florais esteja sendo indicada para o tratamento das
doenças neuropsiquiátricas, os estudos científicos sobre o assunto são escassos
na literatura. Os poucos que existem e, que foram publicados em revistas
indexadas, recebem críticas ferrenhas enfatizando um possível efeito placebo.
Por outro lado, em espécies onde os florais são utilizados com êxito (os
animais na clínica veterinária), o efeito placebo é descartado uma vez que os
mesmos são desprovidos de elementos neurofisiológicos responsáveis pela
auto-sugestão (Chancellor, 2000). Desta forma, o efeito terapêutico dos Florais
ainda não foi esclarecido, mas é passível de comprovação científica. No
presente estudo, através dos resultados obtidos, reconhecidamente pode-se
sugerir que os efeitos centrais dos Florais de Bach podem ser detectados através
de modelos farmacológicos específicos como ocorre com os fármacos
terapeuticamente reconhecidos.
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Recebido em 15/09/05
Aceito em 23/02/06
Aceito em 23/02/06
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